Escrita Galega

Mais outro blogue do Antoni Maroto

Esta nossa língua comum

Este blogue está escrito em galego: a denominação que utilizamos na Galiza para nos referirmos a esta língua comum que o resto do mundo conhece como português …

Talvez alguém se pergunte por que este blogue se chama Escrita Galega se o autor escreve em português.

Como já disse na minha apresentação, nem tudo é o que parece.

Filho de um pai castelhano e de uma mãe estremenha que se conheceram em Madrid, nasci em Aragão. Antes do meu terceiro aniversário, viemos para a Galiza e lá ficaria durante os quinze anos seguintes.

A primeira memória clara que tenho é, precisamente, quando chegamos à Corunha, onde as minhas irmãs (nascidas no País Basco) continuam a morar hoje.

Saragoça foi simplesmente uma coincidência para mim e um local de passagem para a minha família; portanto, a minha identidade não é aragonesa: é galega, entre outras coisas.

Aprendi galego na escola, porém, não chegaria a utilizá-lo ativamente até muitos anos depois. Naquela época, achava as línguas próprias da Galiza e de Portugal eram diferentes.

No entanto, isso mudou quando comecei a estudar português como língua estrangeira na idade adulta.

O que eu percebera como diferenças (p. ex., a ortografia, os sotaques e o vocabulário) entre duas línguas muito próximas são realmente variações que também existem noutras línguas pluricêntricas (p. ex., romeno-moldavo, catalão-valenciano, etc.).

Julgo que a língua própria que se ensina na maioria das escolas galegas é, na verdade, uma versão castelhanizada da língua portuguesa. Na minha opinião, isto acontece por questões políticas que pretendem subordinar o galego ao castelhano e estrangeirizar o português.

Foi numa altura em que morava em Portugal que consegui familiarizar-me rapidamente com outros sabores da língua e depurar os decalques e as interferências do castelhano para me comunicar eficazmente com o resto da Lusofonia.

Aliás, nunca senti que estava a aprender uma língua nova: estava a reintegrar uma língua que já entranhara em criança e que, felizmente, nunca cheguei a esquecer.

Gostava de finalizar este artigo para reafirmar que este blogue está escrito em galego — a denominação que utilizamos na Galiza para nos referirmos a esta nossa língua comum que o resto do mundo conhece como português — por uma pessoa galega, embora não nascesse ali.

Por último, devo dizer que não entrarei em debates sobre a unidade da língua neste espaço. Se não concordarem, peço que não comentem. Reservo-me ainda o direito de apagar comentários que não se enquadrem num clima de respeito.

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