Na publicação anterior, eu disse que a minha identidade é galega, entre outras coisas.
Há pouco vi um documentário chamado Fragments of Belonging, o qual me chegou ao coração, porquanto se fala sobre a ideia de que «em casa é que se está bem».
Porém, o que se passa quando temos mais de uma casa?
Observei as semelhanças entre o meu caminho e o da autora do documentário: Tatjana Božić nasceu na Croácia e morou ainda em Bósnia-Herzegovina, Inglaterra e Rússia, antes de se estabelecer nos Países Baixos.
Responder à pergunta «de onde és» nunca é fácil para uma pessoa com tantos matizes diferentes. Por exemplo, eu passei:
- Três anos em Aragão
- Quinze anos na Galiza
- Quinze anos na Catalunha
- Seis anos nos EUA
- Um ano em Portugal
- Mais outro ano na Galiza
- Mais dois anos e a contar na Catalunha
O ponto de partida foi o único lugar ao qual nunca me senti ligado, pois não tenho memórias daquela época. A minhas raízes também não estão naquela terra.
Já a Galiza e o que viria depois contribuiria para a minha identidade. No meu caminho, aprendi várias línguas e integrei-me em diversas culturas.
Apesar de não gostar de simplificar, se fosse um vinho, esta seria a minha descrição:
Mistura de castelhano e estremenha, cultivada na Galiza, maturada na Catalunya, fortificada no American Midwest e engarrafada no Entre Douro e Minho.
Logo, a minha é uma identidade plural que ainda diverge do que se costuma esperar de uma pessoa com nacionalidade espanhola; contudo, acho que essa é uma questão que merece uma publicação própria.
Já viram o documentário acima referido?
